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A Incrível História de Billy Beane

O início
​William Lamar "Billy" Beane III nasceu em 29/03/1962 em Orlando, Florida, EUA. Seu pai, oficial da marinha americana, ensinou-o a jogar beisebol desde criança. Beane apresentava talento nato para o esporte, e desde criança foi apontado como uma futura estrela. 

Em 1980, Beane recebeu uma oferta de bolsa de estudos integral para cursar e jogar beisebol pela universidade de Stanford, mas optou por assinar um contrato profissional com os New York Mets, equipe da liga profissional de beisebol dos Estados Unidos (MLB). Por ser ainda muito jovem, os New York Mets emprestaram Beane à uma equipe semi-amadora, os Little Fall Mets, para adquirir experiência. Em seu primeiro ano com a equipe, teve dificuldades de adaptação, e em 1981 foi emprestado aos Lynchburg Mets, uma outra equipe semi-profissional. Após boa temporada, foi transferido aos Jackson Mets em 1982 com o intuito de finalizar seu treinamento antes de fazer sua estreia profissional com os New York Mets. O grande objetivo foi alcançado em 1984, quando Beane fez sua estreia na MLB jogando pelos New York Mets em cinco partidas da temporada. No ano seguinte, participou de oito partidas, mas suas atuações abaixo do esperado não agradaram a equipe. Acabou sendo transferido aos Minnesota Twins, aonde sofreu com seguidas contusões. Após anos consecutivos de baixo desempenho, Beane se transferiu para o Detroit Tigers em 1988, e dois anos depois para os Oakland Athletics, aonde sua carreira como atleta profissional chegaria ao fim.


A carreira como executivo
Apaixonado por beisebol, Billy Beane queria manter-se envolvido no esporte mesmo após sua aposentadoria como jogador, e tornou-se olheiro dos Oakland Athletics em 1990. Entre 1990 e 1993, Beane viajou pelos Estados Unidos observando jogadores. Seu chefe, o diretor geral da equipe Sandy Alderson, promoveu-o a um cargo de assistente em 1993. Mas em 1995, com a morte do dono e sócio majoritário da equipe Walter Haas Jr., os Oakland Athletics foram forçados a cortar drasticamente o orçamento. E foi ai que Beane começou sua caminhada para tornar-se um dos executivos esportivos mais respeitados da história do esporte americano. 

Com a queda drástica de receita para contratação de jogadores, Beane sugeriu que a equipe deveria passar a buscar por novos talentos através do uso de uma técnica chamada Sabermetrics. O princípio por trás de Sabermetrics é a análise de jogadores através de estatísticas computadas durante as partidas. Basicamente, são fórmulas matemáticas usadas para isolar o desempenho individual de um jogador, levando em conta apenas o que ele pode controlar. Os olheiros tradicionais da época avaliavam jogadores através de observações subjetivas. Por exemplo, muitos jogadores eram recomendados por serem “grande rebatedores”. Mas a subjetividade do termo “grande rebatedor” gerava confusão, já que passava pelos filtros subjetivos e únicos de cada olheiro. A metodologia da Sabermetrics dava a cada olheiro uma série de métricas objetivas e padronizadas a serem utilizadas para avaliar os jogadores. Essa maneira sistemática de avaliação eliminava a subjetividade, facilitando muito a comparação entre os jogadores sendo observados. Além disso, os jogadores passavam a ser selecionados baseado exclusivamente em desempenho. Em pouco tempo, os Oakland Athletics formaram uma equipe boa e barata, repleta de novas promessas e de jogadores que haviam obtido bom desempenho em outras equipes mas não eram badalados pela imprensa.  O sucesso dessa nova maneira de contratar fez com que Beane fosse promovido a diretor geral da equipe em 1997. Os Oakland Athletics chegaram aos playoffs da liga de beisebol seis vezes entre 2000 e 2008, sempre com um orçamento entre os cinco mais baixos dentre as trinta equipes. 

Em 2009, Billy Bean foi eleito pela revista Sports Illustrated um dos 10 executivos do esporte mais importantes da década. Suas ideias inovadoras fizeram com que os experts do esporte entrassem em guerra. De um lado, os olheiros tradicionais, que confiavam em “olho clínico”, experiência e intuição para identificar talento. De outro, os “sabermétricos”, geralmente jovens engenheiros ou administradores carregando seus laptops. Billy Beane, do lado dos nerds, deu início a uma nova era no beisebol profissional. Hoje, não há um time que não tenha pelo menos um analista de números, o que alterou até a valorização e a remuneração dos jogadores.